Problemas comuns

O que é?

A Polidactilia (do grego, ‘polys’ = muitos; daktilos = dedos), é uma anomalia genética que causa o crescimento anormal de dedos a mais nas mãos ou nos pés. Ela tem ocorrência mundial, mas de acordo com estudos realizados na África, o alelo (tipo de gene) causador da Polidactilia tem 64% de incidência sobre a população do continente, ou seja, dos genes dominantes, apenas 36% não apresentam o traço genético. Isso significa que tanto o pai, como a mãe, terão 50% de chance de ter um filho com a anomalia.

Existem três tipos de Polidactilia:

  • Polidactilia Pós-Axial: na mão, esse tipo se manifesta no lado onde se localiza o osso ulna. Já no pé, ocorre no lado do osso da perna chamado perôneo.
  • Polidactilia Pré-Axial: esse tipo é igual ao anterior, o que muda é somente o local de ocorrência, pois na mão ela se manifesta no lado do osso rádio, e no pé se manifesta ao lado da tíbia-medial.
  • Polidactilia Central: esse tipo é o mais raro, com poucos registros no mundo. Ele acomete a região dos dedos: indicador, anular e médio. O caso mais grave desse tipo de anomalia foi registrado no Japão, onde um garoto nasceu com 16 dedos nos pés e 15 dedos nas mãos. Anteriormente, o recorde vinha da Índia, onde anomalias genéticas são mais comuns devido uma série de fatores (casamentos entre membros da mesma família, falta de auxílio pré-natal e má nutrição materna).

Quais as causas?

A única causa mais conhecida é a hereditariedade, onde o pai ou a mãe tem o gene autossômico (que não está ligado ao sexo) dominante e dessa forma passa para os filhos. Ainda assim, isso não significa que o filho terá de fato a manifestação da doença, na realidade ele só a terá entre seus genes, podendo passa-la para seus filhos.

Entretanto, a manifestação da polidactilia pode não estar ligada a questões hereditárias, mas sim a apenas um caso isolado. Embora a anomalia não seja considerada sindrômica, algumas síndromes incluem-na em sua lista de sintomas, como a síndrome Greig cephalopolysyndactyly (GCPS) ou a síndrome de Bardet-Biedl.

No Brasil, a doença também é relativamente comum. Uma análise feita nas cidades de Pelotas (RS) e Maceió (AL) indicou que a incidência é grande: um caso para cada 640 nascidos vivos na primeira e um caso a cada 250 nascimentos na segunda.

Quem faz parte do grupo de risco?

O que se sabe sobre o grupo de risco dessa anomalia ainda é pouco, mas pode se dizer que ela tem ocorrência superior em indivíduos negros do que em indivíduos caucasianos. É possível dizer também que países mais pobres e regiões onde o casamento entre pessoas da mesma família é normal e cultural – caso da Índia, descrito ainda no início do artigo – tem chances elevadas de transmitir hereditariamente a doença para suas proles.

Quais são os sintomas?

O sintoma mais evidente e que esteticamente atrapalha para alguns, são os dedos a mais nas mãos ou nos pés. Todavia, não há nenhuma interferência séria no cotidiano, o que pode atrapalhar de fato é durante alguns esportes, como em lutas onde se usa luva ou quando é necessário colocar chuteiras ou tênis destinados aquela prática esportiva. No mais, toda e qualquer atividade é permitida de acordo com a adaptação da pessoa.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito ainda durante a gravidez, por meio de ultrassonografia. Se o pediatra notar presença de dedos a mais nas mãos ou nos pés (ou em ambos), após o nascimento, um ortopedista especialista em mão (ou pé) pode realizar facilmente o diagnóstico com o auxílio de uma radiografia para verificar se a polidactilia também se estende à estrutura óssea interna.

A análise de um especialista é importante devido ao fato de que ele pode analisar se o dedo é completamente desenvolvido ou não. Por vezes o membro a mais pode ser desprovido de estrutura óssea, o que facilita a cirurgia de remoção.

Determinado o diagnóstico, quais são as formas de tratamento disponíveis?

A única forma de tratamento é por meio de remoção cirúrgica. Entretanto, em alguns casos a retirada é muito mais estética do que necessária, pois somente nos casos sérios (como o caso do recorde mundial de 16 dedos nos pés e 15 dedos nas mãos) a cirurgia é necessária.

A cirurgia pode ser feita a partir dos três anos de idade e quanto mais novo o indivíduo for (), mais rápida e simples a cirurgia de mão ou de pé será. Ela é feita em uma sala cirúrgica estéril, e deve ser ministrado no paciente uma dose de anestesia geral.

Informações sobre pós-operatório e prevenção

O pós-operatório tende a ser simples, pois não há muitas complicações possíveis. Mesmo que algumas pessoas se assustem, é normal que uma pessoa vá para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após uma cirurgia. Dependendo do tipo de operação e da gravidade do caso, ela pode passar entre um e três dias nesta ala, sendo encaminhada para o quarto após esse período.

Estando em casa, dependendo da idade do paciente – pois há diferença caso ele já seja adolescente ou adulto, onde os membros podem se desenvolver, dificultando a extração – é recomendável realizar sessões de fisioterapia para fortalecer músculos das mãos ou dos pés. Enquanto os pontos não estiverem secos, a parte operada não deve ser molhada, nesse período a lavagem deve ser feita manualmente, com o auxílio de gases e água boricada, sem deixar a água do chuveiro correr livremente.

A recuperação completa deve durar entre dois e quatro meses, dependendo do quadro clínico. Em todo o caso, se a anomalia estiver associada a síndromes, o quadro de sintomas pode ser mais amplo que o normal, mas ainda assim, o tratamento da polidactilia não tende a ser afetado.

No intuito de prevenir a anomalia para as próximas gerações, é possível realizar um estudo genético para saber se há a chance de transmitir essa ou qualquer outra anomalia para os filhos. Como a patologia é mais comum em países pobres, o indicado é que seja feito um estudo genético simples, evite casamentos consanguíneos, realize acompanhamento pré-natal correto e que a progenitora (mãe) mantenha uma alimentação saudável.

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