Problemas comuns

Lesões nas mãos de músicos causados por esforço repetitivo

Poucas coisas causam tanto fascínio no humano quanto um instrumento musical bem tocado. Disciplina e determinação são palavras de ordem para quem almeja dominar um instrumento musical. Todo esse esforço uma hora será recompensado em forma de sonoridade e harmonia de notas. Contudo, para se chegar ao nível de excelência e alcançar a habilidade desejada, é preciso driblar algumas dificuldades psicológicas, intelectuais e, sobretudo, físicas. Principalmente nesse último caso, já que o domínio musical se faz por meio da repetição.

Por vezes essa frequência em busca da nota perfeita pode se sobrepor às limitações do corpo humano. Portanto, não são raros os casos de músicos que sofrem com algum tipo de Lesão de Esforço Repetitivo (LER). Dor na mão, dor no punho, inchaços e limitações de movimentos são alguns indícios que o esforço físico foi excedido.

Essa é a hora de tomar medidas cautelosas. Caso contrário, o músico não terá mais condições de exercer sua profissão como outrora. Grandes referências musicais tiveram que interromper provisoriamente ou encerrar a carreira de forma precoce em virtude de lesões que se agravaram que causam limitações e dor no punho e na mão.

Neil Peart, notório baterista do Rush, anunciou sua aposentadoria em virtude de uma tendinite crônica. Já o guitarrista do Black Sabbath, Tommy Iommi, procurou métodos alternativos para se curar de uma severa lesão na mão que o impossibilitava de voltar a tocar como antes. Esses são alguns casos mais extremos que, felizmente, podem ser evitados, sem comprometer o estudo e o aprimoramento das técnicas musicais.

Tendinite 

A Lesão de Esforço Repetitivo (LER) possui inúmeras variações. Pode ocorrer como tendinites, tenossinovites (inflamação da bolsa sinovial que contorna o tendão dos dedos), neuropatias (referente aos nervos) e síndromes das mais variadas. Dependendo da gravidade, poderá ser necessário realizar uma cirurgia de mão.

A tendinite certamente é lesão mais comum em músicos. Ela acontece em pessoas que repetem movimentos, sem intercalar períodos de repouso. Isso contribui para que o tecido "viscoelástico" (que compõe os tendões) inflame. Os mais notórios tipos de tendinite em músicos se encontram nos músculos que movimentam os punhos, cotovelos, ombros e também nos dedos das mãos.

Quase toda a classe de profissionais da música, bem como entusiastas e aprendizes, está sujeita a desenvolver algum tipo de inflamação dos tendões, como a tendinite na mão ou tendinite no punho. Clarinetistas, flautistas, pianistas e percussionistas são os mais acometidos pela condição.

No caso dos clarinetistas, por exemplo, o problema se dá em virtude do uso desmedido do polegar direito, que aqui serve como sustentação para o clarinete. A adequação ergométrica do instrumento, bem como a boa postura do músico, se faz necessária para evitar agravamentos por lesões.

Os pianistas e tecladistas podem sofrer com incessante dor no pulso, principalmente após tocar. Isso acontece graças à tensão muscular da região enquanto pressiona as teclas do instrumento, que podem causar inflamações nos tendões. Por isso recomenda-se o relaxamento e o fortalecimento muscular antes, durante e depois do treino ou apresentação. Uma melhor postura enquanto toca também pode dirimir a dor no pulso e na mão.

A famigerada guitarra, entoada por uma legião de fãs do instrumento, também é a razão para muitas queixas de tendinite na mão e antebraço. Muitas vezes o desconforto se acentua com o movimento de dobra do dedo mindinho, ou se manifesta por meio de dor de punho.

Outra lesão comum é o cisto sinovial, que consiste em um agravante patológico ocasionado pela dilatação na membrana sinovial do tendão, decorrente de esforço excessivo. Quem toca violão comumente é acometido por esse tipo de tumor benigno de fácil remoção.  

Tenossinovites 

As tenossinovites são causadas por uma inflamação da bainha do tendão. Por muitas vezes ela requer cirurgia realizada por um bom médico ortopedista especialista em mãos.

A mais comum talvez seja a Síndrome de De Quervain, que atinge bateristas, oboístas, flautistas, entre outros. Ela causa dor e edemas na mão, mas felizmente pode ser tratada por medicamentos anti-inflamatórios. Se a dor for intensa e incessante, uma simples cirurgia de mão pode ser suficiente para a plena recuperação do membro.

As tenossinovites do tipo ocupacional e estenosante (conhecida também como dedo em gatilho) ocorrem em detrimento de microtraumas ocasionados pela repetição de movimentos. Todas podem ser tratadas com ou sem cirurgia de mão.

Neuropatias 

Violinistas e violeiros, por exemplo, apresentam mais desordens nos membros esquerdos do que os demais tipos de músicos. Isso se deve, sobretudo, ao mau posicionamento da mão esquerda que é exigida para o dedilhado nas cordas.

Essa postura acaba por comprimir o nervo ulnar (que percorre o osso ulna), dando origem para uma neuropatia chamada Síndrome do Canal de Guyon. O músico acometido por essa lesão pode apresentar dor na mão, dormência e problemas motores. Para esse caso, um médico ortopedista especialista em mão deve fazer a descompressão do nervo, por meio de um simples procedimento cirúrgico.

Outra neuropatia recorrente em músicos é a Síndrome do Túnel do Carpo, que também se refere à compressão de nervo que, consequentemente, causa dor na mão, formigamento e uma preocupante destreza na mobilidade do membro. Felizmente é fácil de ser tratada por meio de uma simples cirurgia da mão.

Cuidados 

As Lesões de Esforço Repetitivo (LER) são altamente tratáveis, porém causam muitas limitações e desconfortos. Muitas vezes, as atividades com música devem ser interrompidas para que o tratamento seja realizado com eficiência. Em casos graves, a doença pode piorar chegando a interromper efetivamente a carreira musical.

Por isso recomenda-se uma pequena cartilha de precauções contra essas lesões. Certamente o médico ortopedista especialista em mão vai indicar pausas regulares durante o treino. O certo seria uma interrupção de no mínimo 10 minutos a cada hora de ensaio ou gravação. Evitar repetições constantes nos movimentos contribui para que não haja dor no punho ou nas mãos.

A reeducação postural, seja qual for o instrumento, é de suma importância para evitar lesões. Se for necessário procure um profissional de fisioterapia para uma série de exercícios de fortalecimento muscular.

Ao menor sinal de tendinite, entre outros agravamentos causados por LER, procure prontamente uma ajuda médica. E, sob hipótese alguma, se automedique. Tomar fármacos por conta própria pode contribuir para o agravamento da doença, já que ameniza os sintomas, mas não resolve o problema como um todo.

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