Problemas comuns

O que é?

A Contratura de Dupuytren, ou apenas doença de Dupuytren, é uma patologia que faz com que um dedo fique mais dobrado que o restante, fazendo, por exemplo, com que uma pessoa não consiga colocar a mão com a palma virada para baixo em uma mesa. Apesar de ser benigna e lentamente progressiva, ela produz pequenos nódulos nos dedos, responsáveis pela contração.

Inicialmente, a doença foi descoberta na Europa por pesquisadores e estudiosos de medicina por volta de 1820. Entretanto, somente em 1832 é que Guillaume Dupuytren (que deu nome à doença), publicou um artigo com detalhes de tratamento sobre ela. Apesar de não se saber exatamente a etiologia, ou seja, o surgimento da patologia, é possível afirmar que uma série de causas contribuem para que ela se desenvolva, acompanhe mais abaixo.

Quais as causas?

A causa tida como a principal da contratura de Dupuytren são os movimentos de fechar e abrir as mãos repetidamente e com grande intensidade, como é o caso de pessoas que praticam tricô ou tocam instrumentos musicais que exigem grande intensidade dos dedos (como violão, guitarra e piano). Além disso, a patologia é autoimune, que basicamente é quando o sistema de defesa do organismo fica desorientado e se volta contra estruturas do próprio corpo.

Embora esses sejam as causas mais sérias e comuns, há também as causas por hereditariedade, reumatismo e de efeito colateral a partir de alguns medicamentos potentes, como o Gardenal. Dois exemplos muito claros de manifestação da doença são o maestro brasileiro João Carlos Martins – que parou de tocar piano por causa dela – e Leonardo da Vinci, que foi um dos maiores polímatas italiano. Vale dizer que ambos usaram de modo crônico e intenso dedos e mãos.

Quem faz parte do grupo de risco?

Além de músicos, artistas, praticantes de tricô e pessoas que digitam muito no computador, outros indivíduos integram o grupo de risco, como: fumantes, alcóolatras, diabéticos, e usuários de drogas lícitas e ilícitas. O fumo e o alcoolismo afetam o sistema circulatório e a distribuição de nutrientes para diversas partes do corpo, o que afeta muito as articulações, como as da mão. No caso de diabetes, a doença pode afetar nervos e articulações do corpo por conta da neuropatia periférica, uma complicação do diabetes.

Na Europa, principalmente nos países escandinavos, a patologia é popularmente chamada de “doença dos vikings” ou “mão celta”, e isso se deve a uma herança genética que predispõe o surgimento da doença. Quando abordado o fator sexo, homens tem até dez vezes mais chances de desenvolver a doença que mulheres.

Quais os sintomas?

Como o desenvolvimento da patologia é lento, o que primeiro se nota é um caroço na palma da mão. Inicialmente esses nódulos não paralisam a movimentação, mas com o tempo crescem e se desenvolvem também entre os tendões flexores dos dedos afetados, o que causa, além de dificuldade em movimentá-los, impossibilidade de pousar a mão aberta sobre uma superfície plana. No ápice da contratura os movimentos dos dedos diminuem muito.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito clinicamente por um médico ortopedista especialista em mão, onde ele fará um exame físico na mão do paciente para verificar a disposição dos nódulos e até que ponto eles interferem no dia a dia. Já o paciente, por sua vez, junto a um acompanhante, pode realizar uma série de anotações para diminuir o tempo da consulta e facilitar um diagnóstico mais completo, como uma lista com os sintomas, um breve histórico médico familiar e individual e um pequeno relato sobre as atividades diárias.

Após a etapa do exame físico e de analisar todos esses dados apresentados ao médico, ele deve então pedir exames que auxiliem de forma mais eficiente no processo de encontrar um diagnóstico. É importante essa etapa para que o ortopedista especialista em mãos não se confunda com outras doenças, como a Doença de Peyronie ou a tenossinovite estenosante. O exame mais pedido é a ultrassonografia, simplesmente para verificar se os nódulos afetam ou não os tendões ou tecidos mais fundos.

Quais são as formas de tratamento disponíveis?

Na maioria das vezes o tratamento indicado para a Contratura de Dupuytren é conservador, poucas são as vezes onde o melhor a se fazer é a cirurgia. A doença é considerada na fase inicial se os nódulos ou cordões fibrosos não afetarem os movimentos da mão, ainda que na fase onde eles afetem parcialmente também seja possível tratar. Já o tratamento cirúrgico é indicado quando os movimentos forem extremamente limitados e deixarem o paciente incapaz de abotoar um casado, por exemplo.

A primeira opção de tratamento consiste apenas em realizar fisioterapia ou infiltrações de corticoides ministradas pelo próprio médico. Entretanto, como o tratamento visa apenas frear o avanço da patologia, o melhor a se fazer é o acompanhamento médico constante até o ponto em que os nódulos limitem os movimentos.

É nesse momento que a cirurgia de mão se torna mais indicada, chamada de fasciectomia radical ou seletiva. A primeira visa retirar tanto o tecido doente como o saudável, entretanto, devido ao alto índice de complicações e recorrências, se tornou pouco usada. Já a segunda visa somente retirar o tecido doente e talvez parte da pele adjacente, onde o procedimento ganha o nome de dermofasciectomia, pois se acredita que assim evita-se que a patologia seja recidiva.

Informações sobre pós-operatório e prevenção

A cirurgia é feita em uma sala cirúrgica, de uma equipe médica e um anestesista, que deve aplicar anestesia geral. A cirurgia deve durar entre duas a três horas apenas, e após esse período o paciente deve ser encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde deve ser monitorado por médicos e enfermeiros. Esse tempo dura entre um e três dias e na maioria das vezes visa apenas esperar a anestesia passar.

A alta hospitalar deve vir em menos de uma semana, mas a retirada dos pontos deve ser feita após vinte dias. Até que os pontos sequem, a lavagem da mão deve ser feita manualmente, com o auxílio de gases e água boricada. Enquanto o médico não liberar, atividades como amarrar os sapatos, tricotar, abotoar roupas, dirigir ou teclar devem ser evitadas. No período de recuperação, o paciente deve realizar sessões de fisioterapia para fortalecer a musculatura local, evitando que ela se atrofie.

Embora a recuperação total seja relativa, variando para cada caso, a estimativa em um paciente saudável é de quatro a cinco meses, entretanto, devido ao fator genético, a doença pode ser recidiva e a cirurgia ser novamente necessária. Por isso é importante uma recuperação regrada.

A prevenção é simples, se a hereditariedade for uma das causas, então é importante evitar abrir e fechar as mãos muitas vezes ao dia. Se necessário, é importante mudar de área na empresa ou se adaptar para não afetar os movimentos das mãos. Vale dizer que após os sessenta anos, o melhor a se fazer é realizar exames de rotina com um ortopedista.

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