Problemas comuns

O que é?

A Artrite Reumatoide, ou apenas AR, é uma doença autoimune (onde o sistema imunológico ataca tanto os tecidos ruins como os tecidos saudáveis), degenerativa e sistêmica, o que significa que ocorrem várias inflamações em diferentes locais do corpo. As regiões mais acometidas são mãos e pés, mas outras articulações podem ser afetadas, são elas: ombros, cotovelos, joelhos e quadril. Em alguns casos, até mesmo órgãos podem ser prejudicados, como pele, olhos, pulmões, coração e vasos sanguíneos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), 1% dos brasileiros possui essa doença. Como ela é crônica, o que pode ser feito é trata-la com medicamentos corticoides (caso de complicações no pulmão, por exemplo) e outros mais potentes para que ela se estabilize e seu desenvolvimento seja freado.

Basicamente, a artrite reumatoide faz com que o próprio organismo cause inflamações nas bainhas ou bolsas sinoviais que estão presentes em todas as articulações do corpo. Essas pequenas bolsas são responsáveis por amortecer parte dos movimentos e fazer com que um osso não se choque com o outro. Como as mãos possuem mais articulações que outras partes do corpo, elas acabam se tornando os maiores alvos da artrite reumatoide.

Quais as causas?

Apesar de a patologia não possuir causa aparente, as pesquisas e evoluções na área da medicina descobriram que algumas características nas pessoas facilitam a ocorrência da Artrite Reumatoide:

  • Ser do sexo feminino, pois mulheres tem até três vezes mais chances de desenvolver a patologia que homens. A explicação para isso, apesar de ainda estar sendo estudada por pesquisadores e médicos da área, seria a queda hormonal que ocorre na mulher, pois o estrogênio (hormônio comum à mulher) mexe muito no organismo delas.
  • Hereditariedade: apesar de não ser um fator determinante na hora da doença surgir, ter grau de parentesco com indivíduos portadores da doença propicia uma chance maior para que ela surja. O que, se juntado a outros fatores de risco, facilita ainda mais.
  • O surgimento da artrite reumatoide pode estar associado a constantes infecções virais e bacterianas ou inflamações de garganta e dores de dente, pois o desequilíbrio do sistema imunológico pode findar em um quadro da patologia.
  • O fumo é um dos fatores que mais contribuem para aumentar a chance e facilitar o surgimento de diversos problemas, sejam eles ortopédicos, cardiológicos ou até mesmo neurológicos. Na artrite reumatoide, o tabagismo é visto como um facilitador, inclusive pessoas que não fumam, mas inalam fumaça de fumantes estão expostas.
  • Estudos recentes também apontaram fatores ambientais para o surgimento da patologia, como o poluente sílica presente na areia de praia. Ele pode ser encontrado também em forma de bolinhas dentro de pequenos sacos que vem acompanhados de malas ou mochilas no ato da compra. Esse produto é usado basicamente para retirar mofo desses assessórios.

Quais são os sintomas?

Como o ataque do sistema imunológico é massivo nas mãos, que possuem várias articulações (e consequentemente bolsas sinoviais), os principais sintomas são: dor nas articulações dos dedos da mão, edema (inchaço) e aumento da temperatura articular. Nas primeiras horas do dia, é muito comum o paciente sentir um misto de rigidez e dor articular, que ocorre devido as mudança de temperatura e clima da noite para o dia.

Durante mudanças de estação, como quando há quedas bruscas de temperatura ou chuvas, portadores dessa patologia são mais sensíveis a essas transformações por conta das dores e grandes incômodos que causam nas articulações. Em alguns casos é possível notar a presença de nódulos reumatoides, que são similares a caroços firmes, envoltos em tecido, apesar de poderem ocorrer nas mãos, são mais comuns nos braços.

Outros três sintomas notados nesses pacientes, mas que não são exclusividade das mãos, são: a febre, a fadiga, perda de peso e mal-estar. É importante salientar que os sintomas podem não ocorrer todos de uma vez, bem como podem aparecer fortemente e logo em seguida sumir, o que é descrito como um período de crise da artrite. Há também situações de inatividade da doença, algo que pode ser notado por meio de exames.

De que forma é feito o diagnóstico?

O diagnóstico pode ser feito em consulta clínica por um médico ortopedista especialista em mão, que na primeira etapa fará uma série de perguntas sobre o dia a dia do paciente. Sendo assim, para diminuir o tempo da consulta e chegar mais rápido a um diagnóstico, o paciente ou acompanhante pode fazer algumas anotações, são elas: uma pequena lista com os sintomas sentidos, o histórico de saúde familiar e individual e um pequeno relato sobre as atividades diárias do indivíduo.

Feita a análise desses dados, o médico deve então começar o exame físico, onde ele vai verificar o estado das mãos e se atentar para a possível presença de dor nas articulações dos dedos da mão. O especialista pode pedir ao paciente que realize movimentos de flexão e extensão com as mãos. O terceiro passo é onde o médico se atentará à necessidade de o paciente fazer exames, tanto para descartar outras possibilidades de diagnóstico (como artrose) como para descobrir em qual estágio a doença está. Os exames mais usados para entender se é de fato artrite são: exame de velocidade de hemossedimentação (VHS) e da dosagem da proteína C reativa (PCR).

O primeiro auxilia na checagem da presença ou não de anemia, pois inflamações aumentam a quantidade de plaquetas. O segundo exame checa no sangue se há grande concentração da proteína C reativa na circulação. Essa proteína é produzida pelo fígado e, por aumentar a concentração no sangue durante processos inflamatórios, pode trazer um indício de artrite reumatoide.

Todavia, no intuito de verificar se há lesões nas juntas, alguns exames de imagem podem ser pedidos, como radiografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. Todos esses exames permitem mostrar se o quadro clínico do paciente é de artrite reumatoide ou até mesmo se há outra patologia, como a artrose ou a osteoartrose.

Quais as melhores opções de tratamento?

O tratamento da Artrite Reumatoide visa frear o avanço da doença e diminuir o impacto dela sobre o corpo humano. Quando não há lesões articulares nas juntas, boa parte da comunidade médica acredita que a doença ainda esteja nos primeiros estágios. Sendo assim, para garantir a qualidade de vida, é importante realizar mudanças no estilo de vida: parar de fumar em caso de fumantes, praticar atividades físicas, manter alimentação e hábitos saudáveis e também realizar sessões de fisioterapia.

Contudo, se ainda assim não for possível conter a doença, o tratamento medicamentoso pode ser inserido. Para isso, o médico ortopedista especialista em mãos pode indicar medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos, corticoides para conter dor e inchaço entre outros medicamentos, como a ciclofosfamida. Esses medicamentos, que por vezes são fortes e potentes no combate aos sintomas da artrite, ajudam a “adormecer” a doença e evitar que o paciente precise de uma cirurgia para colocação de prótese.

É recomendado que o paciente faça consultas semanais com o psicólogo, pois devido aos problemas colaterais causados tanto pela artrite como pelos corticoides, as mudanças corporais podem ser impactantes.

Por fim, se nenhuma dessas formas de tratamento tenham contribuído para romper com o avanço da doença ou se ela comprometer muito alguns movimentos do paciente, a solução pode ser decidir pela operação tanto para reparar articulações lesionadas como para corrigir deformidades. As operações mais comuns nas mãos são:

  • Sinovectomia: consiste em remover os tecidos lesionados da articulação, como a bainha sinovial para impedir que a artrite continue a lesioná-la e prejudicar outros órgãos. Apesar de ser eficaz, eventualmente a membrana sinovial pode crescer outra vez e de modo anormal, precisando fazer novamente o procedimento.
  • Operação de prótese articular: existem pequenas próteses em pirocarbono que servem como articulações dos dedos, como a prótese metacarpo-falangeana. A cirurgia consiste em retirar a articulação lesionada e eventualmente parte do tecido ósseo para colocar a nova prótese, que deve garantir maior mobilidade.

Informações sobre pós-operatório, prevenção e curiosidades

A cirurgia demanda tempo, mas varia para cada caso. Após a operação, que é feita com anestesia geral, o paciente deve permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por um período de um a sete dias, dependendo do quadro clínico.

Em alguns casos, esse período serve somente para monitorar melhor o paciente e esperar a maior parte do efeito da anestesia passar. Normalmente ele permanece no quarto por um período de 7 a 21 dias para que possa ser avaliado e acompanhado pelo médico ortopedista especialista em mãos. No período de convalescença, o indivíduo deve iniciar a fisioterapia leve para impedir o desenvolvimento da Artrite Reumatoide.

Um dos exemplos mais famosos de pessoas com artrite reumatoide é o da atriz brasileira Betty Faria, que em 2016 revelou ser portadora da doença e sofrer de intensas dores. Segundo ela, o diagnóstico de reumatose veio em 2012, e desde então as melhores opções de tratamento foram por meio de corticoides.

Sendo assim, é possível dizer que a artrite reumatoide é democrática, séria e causa diversos impedimentos no indivíduo. Portanto, para tornar esse tratamento mais humano e menos dolorido ao paciente, o convívio saudável com família e amigos deve ser constante. O aconchego e a alegria proporcionados por pessoas próximas é um dos pilares de sustentação de um portador de artrite reumatoide.

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